Este fim-de-semana, o rei Abdullah da Arábia Saudita anunciou que as mulheres vão passar a ter direito de voto e a candidatar-se a cargos políticos.
Poderá, a nós Europeus, parecer um pequeno passo na lua pela liberdade feminina, num país onde as mulheres não podem conduzir sozinhas e necessitam de autorização dos maridos para recorrer a tratamentos cirúrgicos. Mas, para todas as activistas sauditas as medidas anunciadas pelo rei são um marco histórico na sua luta.
A partir do próximo mandato, as mulheres terão o direito de se candidatar aos conselhos municipais, assim como o direito de voto no quadro dos princípios do Islão, Abdullah anunciou ainda que “as mulheres poderão participar na Majlis al Shura, enquanto membros, a partir do próximo mandato”, este é uma espécie de Conselho de Estado que decidir assuntos de relevo nacional.
A decisão anunciada pelo monarca extravasou as recomendações da própria assembleia sendo recebidas com desagrado pelas facções mais extremistas, que se têm oposto a qualquer forma de melhoria do estatuto das mulheres na Arábia Saudita.
O descontentamento no Mundo Árabe, crescente nos últimos meses e que muitos apelidam de “primavera árabe” foi um alento para as mulheres sauditas levarem para as ruas os protestos contra a proibição votarem. No entanto, não esqueçamos que o Berço do Islão é a Arábia Saudita e que esta segue uma tradição social conservadora que, como já se referiu, impede as mulheres de conduzirem automóveis sozinhas e preconiza a segregação sexual em público. Espera-se que as medidas anunciadas sejam colocadas em prática.
O Direito alcançado pelas mulheres da Arábia Saudita está há anos implementado em muitos países do mundo.
Em 1893, a Nova Zelândia tornou-se o primeiro país a garantir o sufrágio feminino.
A luta pelo voto feminino foi sempre o desejo a ser alcançado no horizonte das feministas da era pós-Revolução Industrial. No entanto, a sua luta foi árdua e no Reino Unido só em 1918 o Representation of the People Act estabeleceu o voto feminino. Esta lei deu forças a mulheres de diversos outros países para que lutassem pelo seu direito ao voto.
Temos ainda de referir o caso português, onde a primeira mulher a votar foi Carolina Beatriz Ângelo sendo igualmente a primeira mulher a votar no quadro dos doze países europeus que vieram a constituir a União Europeia. Foi em 1911, contornando a lei que só permitia votar aos cidadãos maiores de 21 anos que fossem chefes de família ou que soubessem ler e escrever (ela era médica, mãe e viúva). Para evitar estes contornos, foi modificado o direito, abrangendo somente o sexo masculino.
Só com o decreto-lei 19.694 de é que pela primeira 5 de Maio de 1931 vez, na história política do país, as mulheres foram consideradas como eleitpras. Este decreto, contudo, era bastante limitativo, pois permitia o voto apenas àquelas que fossem chefes de família, ou seja, as viúvas, divorciadas, separadas de pessoas e bens, com família própria e aquelas que estivessem casadas, mas que os maridos estivessem no estrangeiro ou nas colónias. Não obstante só o podiam as mulheres que tivessem completado o ensino secundário ou fossem titulares de um curso superior com certificado.
No entanto, o sufrágio universal feminino foi alcançado após o 25 de Abril.
Por mais que a opressão sobre as mulheres seja ainda uma cruel realidade, elas têm direito ao voto e à participação política ampla na maioria dos países. E agora, em alguns países árabes existe-se a movimentos que reproduzem as mesmas lutas das sufragistas europeias do século XIX, na tentativa de forçar os governos daqueles países a mudar a sua legislação eleitoral e adoptar o voto universal em pleno sec. XXI.
Alexandra Adão
(Advogada Estagiária)
